A Importância de Viver, Lin Yutang

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    Um livro atualíssimo. Escrito em 1937, combinando a milenar sabedoria do Oriente com sua experiência ocidental, o chinês Lin Yutang, que viveu nos EUA, apresenta uma verdadeira arte de viver, ensinando, entre outras coisas, como se pode ser feliz.


    "A Natureza é, por si mesma, e sempre, um sanatório. Mesmo que não pudesse curar outra coisa, pode curar o homem enfermo de megalomania. O homem costuma esquecer quão pequeno é, e, amiúde, quão inútil é. Um homem que vê um edifício de cem andares, sente-se vaidoso, e o melhor modo de curar essa insuportável vaidade é transportar em imaginação esse arranha-céu para uma pequena montanha, e adquirir um conceito mais verídico do que podemos ou não chamar de “enorme”. Os chineses supõem que uma viagem à montanha surta efeito catártico, pois limpa o peito de uma multidão de ambições tolas e desnecessárias preocupações.
    Temos também o silêncio das montanhas, e esse silêncio é terapêutico. Toda boa montanha é um sanatório. Sentimo-nos aconchegados como crianças em seu peito. Acredito nas propriedades espirituais, curativas das velhas árvores e dos recessos da montanha, não para salvar uma clavícula fraturada ou uma pele infeccionada, mas para curar as ambições da carne, as enfermidades da alma: cleptomania, megalomania, egocentrismo, halitose espiritual, titulites, bonusites, dirigentites (a preocupação de dirigir aos demais), neuroses de guerra, versofobia, maldade, ódio, exibicionismo social, dureza de coração em geral e todas as formas de enfermidade moral.
    O gozo da natureza é uma arte, que depende muito da disposição e da personalidade de cada um e, como sucede com todas as artes, é difícil explicar sua técnica. Tudo deve ser espontâneo e brotar espontaneamente de um temperamento artístico. Quem compreender isso, saberá gozar da natureza sem que ninguém lhe ensine."